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José Das Candeias  Sales
    RESUMO O objectivo principal deste texto é apresentar uma síntese panorâmica sobre os aspectos principais associados à música, à dança e aos instrumentos musicais no antigo Egipto, percebendo a sua relação com a cultura e a história... more
    RESUMO
    O objectivo principal deste texto é apresentar uma síntese panorâmica sobre os aspectos principais associados à música, à dança e aos instrumentos musicais no antigo Egipto, percebendo a sua relação com a cultura e a história egípcias.
    Palavras-Chave: Música, Dança, Instrumentos musicais.

    ABSTRACT
    The main objective of this essay is to present an overview of the main aspects of music, dance and musical instruments in Ancient Egypt, understanding its relationship with the Egyptian culture and history.
    Keywords: Music, Dance, Musical instruments.
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    No âmbito da nossa investigação no campo da Recepção da Antiguidade em Portugal dedicada à identificação, recolha e análise de notícias e artigos sobre a descoberta do túmulo do faraó Tutankhamon publicados entre 1922 e 1939 nos jornais e... more
    No âmbito da nossa investigação no campo da Recepção da Antiguidade em Portugal dedicada à identificação, recolha e análise de notícias e artigos sobre a descoberta do túmulo do faraó Tutankhamon publicados entre 1922 e 1939 nos jornais e revistas portugueses, deparamo-nos com um romance editado em Lisboa, em 1924, da autoria de F. de Carvalho Henriques, intitulado A Profecia ou O Mistério da Morte de Tut-Ank-Amon. Na  narrativa  principal  do  romance  (desenvolvida  nos  capítulos  I,  VI-XIV),  o  Autor  encaixa  uma narrativa  (capítulos  II-IV) sobre “factos  da  antiguidade” para os quais mobilizou “conhecimentos históricos” sobre  o  antigo  Egipto  da  época  de  Tutankhamon,  suscitados  pela  então  recente  descoberta  do  túmulo  desse faraó  egípcio  (KV  62),  em  Luxor  ocidental,  por  Howard  Carter,  datada  oficialmente  de  4  de  Novembro  de 1922.  Trata-se do primeiro romance, com contornos de policial, publicado a nível internacional inspirado nesta grande descoberta arqueológica egípcia. Não se conhecem as fontes primárias ou secundárias que F. de Carvalho Henriques utilizou para compor os capítulos II-IV do seu romance. Não se conhecem as suas leituras historiográficas sobre a época de Tutankhamon (XVIII dinastia). Não se conhece o seu efectivo entendimento sobre todos os tópicos inseridos na sua novela.  Uma coisa, porém, é certa: os seus conhecimentos históricos sobre o Egipto antigo são genericamente bem sustentados, aprofundados, como procuraremos demonstrar, e provam como os ecos das longínquas escavações egípcias inspiraram e estimularam a imaginação de um ilustre desconhecido português e, através deste, dos seus leitores.
    Palavras-chave: Fernando de Carvalho Henriques, Romance, Mistério, Tutankhamon, Recepção da Antiguidade
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    Ancient Egypt is commonly regarded, in a simple comparative analysis, as a civilization less violent than its counterparts in neighboring Mesopotamia, for example. Some traces of violence can, obviously, be detected in many behaviors of... more
    Ancient Egypt is commonly regarded, in a simple comparative analysis, as a civilization less violent than its counterparts in neighboring Mesopotamia, for example. Some traces of violence can, obviously, be detected in many behaviors of the ancient Egyptian society, namely the physical punishments to the less committed students and to the peasants who evaded or intended to evade the intricate system of pharaonic tax collection. We can also confirm the practice of violence (verbal, physical and sexual) on women. Violence was therefore practiced in ancient Egypt, both in the domestic and public sphere, even though the Egyptian moral ethics condemn it, including the kind that one that could play on their own servants and/ or subordinates: “I have not caused pain”; “I have not slighted a servant to his master” (Book of the Dead, Chapter 125, Negative Confession).
    On the other hand, scenes of domination and repression of the defeated enemies were a common theme, often depicted at a large scale on the temples’ pylons, according to the ideology of the winner that each and every pharaoh should be and proclaim, even if just in theory. The ritual scenes of offering of the enemies by the Pharaoh to the main gods of the Egyptian pantheon are, in this sense, an eloquent trait of what we might designate as “ritual violence”, that was greatly appreciated in the country of the Pharaohs.
    With this paper, we will try to present and characterize the practice of violence in ancient Egypt exactly through some of its real or deliberate expressions and ritual or ceremonial, as a phenomenon with forms and techniques culturally and socially integrated.
    Finally, we will discuss a type of violence that underlies many of the Egyptian iconographic and textual productions, especially those related to life expectancy in the hereafter: we mean the threat of violence and constraints faced by the ones who do not align their existence by maetic behaviors that, in many situations, acts as a powerful deterrent and regulatory force to the living Egyptians.
    Inherent to our questioning of the phenomenon of violence in ancient Egypt in its various forms is a concept and generic definition of violence that is not limited to the physical and material aspect, that is, to the level of physical integrity, but also to the level of moral or psychological coercion, that violates individual autonomy and the existential behaviors.
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    Resumo Um dos aspectos mais notáveis da mitologia egípcia é o enorme número de divindades com representações zoomorfas ou híbridas/ bimórficas (corpo humano com cabeça animal ou corpo animal com cabeça humana). Essas formas são produto de... more
    Resumo
    Um dos aspectos mais notáveis da mitologia egípcia é o enorme número de divindades com representações zoomorfas ou híbridas/ bimórficas (corpo humano com cabeça animal ou corpo animal com cabeça humana). Essas formas são produto de um compromisso criativo entre um pensamento antropomórfico e as aparências das forças naturais-animais. As aves não escaparam a esta apropriação mitológica e surgem associadas a divindades de primeiro plano do panteão: estão nesse caso os falcões, os abutres, as íbis e o ganso. Além desta faceta de presença das aves em plena associação com grandes divindades do panteão egípcio, é possível vê-las também usadas simbolicamente para exprimirem alguns aspectos da personalidade humana e conceitos maiores do pensamento religioso egípcio. Estão neste caso, sobretudo, a ave-ba e a íbis-akh. No antigo Egipto, as aves, tratadas teológica e iconograficamente, ajudaram, pois, a definir formas divinas, convicções e conceitos espirituais.

    Abstract
    One of the most remarkable aspects of the Egyptian mythology is the large number of deities with zoomorphic or hybrid/bimorphic representations (the latter corresponding to representations with animal heads over human bodies or human heads over animal bodies). These shapes are product of a creative compromise between the anthropomorphic form and the features of the natural-animal forces. Birds were also included in this mythological appropriation and are associated to "first-tier" deities of the Egyptian pantheon, namely hawks, vultures, ibises and geese. Besides this association of birds with the great deities, it is also possible to see their symbolic use as a means to express diverse aspects of human personality and bigger concepts of the Egyptian religious thought: mostly the ba-bird and the akh-ibis. In ancient Egypt, the theological and iconographic treatment of birds was essential to define divine forms, beliefs and spiritual concepts.
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    No seio da Egiptologia científica portuguesa convencionou-se uma divisão da história da civilização faraónica em três períodos principais designados por «Império», isto é, três épocas de grande estabilidade política e apogeu... more
    No seio da Egiptologia científica portuguesa convencionou-se uma divisão da história da civilização faraónica em três períodos principais designados por «Império», isto é, três épocas de grande estabilidade política e apogeu civilizacional: o Império Antigo, o Império Médio e o Império Novo. Será, todavia, adequada a aplicação do conceito de «império» para estas épocas da história egípcia? No contexto lusófono, este conceito é o que melhor exprime, representa e discrimina o sentido do que se pretende qualificar? É este o termo que se adequa com maior clareza e propriedade ao que pretendemos significar? É essencialmente em torno da procura de resposta a estas
    questões que se desenvolve o presente texto. A nossa reflexão organiza-se em torno das características essenciais e definidoras da classificação e do conceito de «império» e da «validade» da sua aplicação ao caso da antiga história egípcia.
    Palavras-chave: Divisão cronológica; império; reino; território; Estado; administração.
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    O relato inicial da criação do mundo de Génesis, cap. 1, é sobejamente conhecido. Nesta narrativa há um conjunto de elementos que possibilitam o estabelecimento de paralelos e de comparações com outros existentes em narrativas... more
    O relato inicial da criação do mundo de Génesis, cap. 1, é sobejamente conhecido. Nesta narrativa há um conjunto de elementos que possibilitam o estabelecimento de paralelos e de comparações com outros existentes em narrativas cosmogónicas egípcias, como as elaboradas em Hermópolis e em Mênfis, nomeadamente.
    As cosmogéneses hermopolitana e menfita, organizadas em torno da existência e acção de uma ogdóade de deuses (quatro casais ou forças dinâmicas do mundo não criado), no primeiro caso, ou do deus Ptah, o deus egípcio que criou o mundo através do pensamento deliberado e do discurso executivo, no segundo, com modelos narrativos distintos entre si, apresentam, porém, uma concepção e uma descrição do mundo pré-cósmico e cósmico que ecoa, de alguma forma, no Génesis.
    Sem pretendermos estabelecer causalidades forçadas ou mesmo inexistentes, procuraremos reflectir sobre os momentos criacionais mencionados nesses textos e sobre a linguagem usada nas narrativas em causa para descrever os actos demiúrgicos envolvidos e as suas consequências.
    Palavras-chave: cosmogonia, narrativas, especulação teológica, magia criadora.
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    Alejo Carrera Muñoz (1893-1967) trabalhou, em Portugal e Espanha, como jornalista, correspondente de diversos jornais, e como empresário, político, homem da cultura e representante da comunidade galega em Portugal. Este texto pretende... more
    Alejo Carrera Muñoz (1893-1967) trabalhou, em Portugal e Espanha, como jornalista, correspondente de diversos jornais, e como empresário, político, homem da cultura e representante da comunidade galega em Portugal. Este texto pretende traçar, em linhas gerais, o seu percurso profissional de acordo com o que foi publicado nos jornais.
    Palavras-chave: Alejo Carrera Muñoz, Biografia, Jornalista, Correspondente, Agência Radio
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    Partindo de uma investigação em Recepção da Antiguidade, demonstramos o caminho percorrido para caracterizar a realidade obscura das agências de notícias a actuar em Portugal nos anos da década de 20 do século XX, com especial enfoque... more
    Partindo de uma investigação em Recepção da Antiguidade, demonstramos o caminho percorrido para caracterizar a realidade obscura das agências de notícias a actuar em Portugal nos anos da década de 20 do século XX, com especial enfoque para duas agências cuja presença ofuscava, claramente, a suposta exclusividade da Havas: a Agência Rádio e a Lusitânia.
    Palavras-chave: Imprensa portuguesa (1922-1939), Agências de notícias, Agência Radio, Lusitânia
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    Resumo: A descoberta do túmulo de Tutankhamon, em 1922, foi noticiada pela imprensa internacional de todo o mundo, incluindo Portugal. Quer a imprensa (valorizando a tese supersticiosa da «maldição da múmia»), quer a publicação do romance... more
    Resumo: A descoberta do túmulo de Tutankhamon, em 1922, foi noticiada pela imprensa internacional de
    todo o mundo, incluindo Portugal. Quer a imprensa (valorizando a tese supersticiosa da «maldição da
    múmia»), quer a publicação do romance policial A Profecia ou O Mistério da Morte de Tut-Ank-Amon, da
    autoria de Fernando de Carvalho Henriques (que constitui o primeiro romance publicado a nível internacional
    inspirado na grande descoberta arqueológica egípcia), quer ainda os ensaios académicos de Humberto Pinto
    de Lima na revista Diónysos (que incluem a primeira tradução para português do Hino a Aton) demonstram
    como foi rececionado entre nós, entre 1923 e 1926, o fabuloso achado arqueológico egípcio.

    Palavras-chave: Tutankhamon, Imprensa, Literatura de ficção, Conhecimento científico.


    Abstract: The discovery of the tomb of Tutankhamon, in 1922, was reported by the international press all
    round the world, including Portugal. Between us, from 1923 to 1926, the fabulous archaeological find was
    reported by the press (valuing the superstitious thesis of the "mummy's curse"), by the publication of
    Fernando de Carvalho Henriques’s Tut-Ankh-Amon's crime novel A Profecia ou O Mistério da Morte de TutAnk-Amon by (which is the first novel ever published at an international level inspired by the great Egyptian
    archaeological discovery), and by the academic essays of Humberto Pinto de Lima in the journal Dionysos
    (that includes the first translation to Portuguese of the Hymn to Aton).

    Keywords: Tutankhamun, Press, Literary fiction, Scientific knowledge.
    Resumo: A descoberta do túmulo de Tutankhamon, em 1922, foi noticiada pela imprensa internacional, de forma inusitada, tornando este faraó e o arqueólogo responsável pelo achado sobejamente conhecidos de milhões de leitores. Ironicamente,... more
    Resumo: A descoberta do túmulo de Tutankhamon, em 1922, foi noticiada pela imprensa internacional, de forma inusitada, tornando este faraó e o arqueólogo responsável pelo achado sobejamente conhecidos de milhões de leitores. Ironicamente, Tutankhamon era
    um dos faraós menos conhecidos da história egípcia e Howard Carter um arqueólogo sem créditos firmados que, assim, literalmente de um dia para o outro, passaram da obscuridade para as páginas dos periódicos. Na imprensa portuguesa, a partir de 1925, a revista Diónysos reservou espaço em três números para pequenos ensaios, genericamente intitulados “Quem era Tutankhamen”, da autoria de Humberto Pinto de Lima, então assistente de Ciências Históricas da Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Neste artigo apresenta-se uma análise detalhada desses textos, relevando o domínio científico
    das problemáticas pelo Autor e o seu contributo para a discussão dos temas de história egípcia entre nós.

    Palavras-chave: Receção, Tutankhamon, revista Diónysos, Humberto Pinto de Lima.

    Abstract: The discovery of Tutankhamun’s tomb, in 1922, was reported, in an unusual way, by the international press, making this pharaoh and the archaeologist responsible for the finding very well known to millions of readers. Ironically, Tutankhamun was one of the less known pharaohs of ancient Egypt’s history and Howard Carter an archaeologist without consolidated credits that suddenly went from obscurity to the pages of the periodicals. In the Portuguese press, from 1925, the journal Diónysos reserved a space, in three numbers, to small essays  generically entitled “Quem era Tutankhamen”, by Humberto Pinto de Lima, at the time an Assistant in Historical Sciences of the Faculty of Letters of the University of Porto. In this article a detailed analysis of those texts is presented, revealing the scientifically domain of the author of the problematics and his contribution to the discussion of the themes of Egyptian history among us.

    Keywords: Reception, Tutankhamun, journal Diónysos, Humberto Pinto de Lima.
    No outono de 34 a.C., Marco António e Cleópatra convocaram os Alexandrinos para o Ginásio para celebrarem o triunfo sobre os Arménios e declararem Cleópatra e o seu filho com Júlio César, Cesarião, co-governantes de Chipre e do Egipto.... more
    No outono de 34 a.C., Marco António e Cleópatra convocaram os Alexandrinos para o Ginásio para celebrarem o triunfo sobre os Arménios e declararem Cleópatra e o seu filho com Júlio César, Cesarião, co-governantes de Chipre e do Egipto. Cleópatra foi declarada «Rainha de reis» e Cesarião «rei dos reis». Alexandre Hélio, filho de Marco António e de Cleópatra, foi coroado como governante da Arménia, Média e Pártia. Sua irmã gémea, Cleópatra Selene, foi coroada como governante da Cirenaica e Líbia. As crianças vestiram-se com os trajes dos países para cujo governo foram nomeados. O filho mais novo de Marco António e Cleópatra, Ptolemeu Filadelfo, foi coroado governante da Fenícia, Síria e Cilícia. Numa elevada plataforma adornada a prata, sentados em tronos dourados, o casal emitiu uma declaração conjunta proclamando-se como a encarnação das divindades egípcias Osíris e Ísis. Num nível mais baixo da plataforma havia quatro tronos de ouro para os filhos de Cleópatra.
    Com as «doações de Alexandria», Marco António dividiu a sua parte do mundo romano entre os quatro filhos de Cleópatra VII. O gesto provocou uma ruptura fatal nas suas relações com Roma e esteve entre as causas da última guerra civil da República Romana, cuja vitória, em 30 a.C., permitiria a Octávio a transição para a Era Imperial.
    Com toda a encenação inerente, as grandiosas cerimónias reais públicas de Alexandria tocaram a imaginação popular, mas proclamavam, contudo, uma magnificência ilusória e artificial, onde mito e história se cruzam.

    In the fall of 34BC, Antony and Cleopatra called the Alexandrians to the
    city’s Gymnasium to celebrate the triumph against the Armenians and to declare Cleopatra and her son with Julius Caesar, Caesarion, co-rulers of Cyprus and Egypt. Cleopatra is declared «Queen of kings» and Caesarion «king of kings». Alexander Helios, son of Antony and Cleopatra, was crowned as the ruler of Armenia, Media and Parthia. His twin sister, Cleopatra Selene, was crowned as the ruler of Cyrenaica and Lybia. Both children dressed up in the costumes of the countries that they had been named to rule. The youngest son of Antony and Cleopatra, Ptolemy Philadelphos, was crowned as ruler of Phoenicia, Syria, and Cilicia. The couple, sitting on golden thrones on a raised dais adorned with silver, issued a joint declaration proclaiming themselves as the embodiment of the Egyptian deities Osiris and Isis. On a lower level of the platform, there four gold thrones for Cleopatra’s children.
    The «donations of Alexandria» split Antony’s portion of the Roman world
    amongst the four children of Cleopatra VII. The gesture caused a fatal breach in Antony’s relations with Rome and was amongst the causes of the last civil war of the Roman Republic, which resulted in the transition to the Imperial Era, with Octavian’s victory, in 30 BC.
    With the entire inherent scenario, the grand public royal ceremonies of
    Alexandria touched the popular imagination but yet proclaiming an illusory and artificial magnificence, where myth and history intersect.
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    Nesta reflexão consideramos algumas das grandes festas egípcias (hebu ou uagu), a maioria relacionada com a celebração dos ritmos da Natureza: 1) a «Festa de Opet», 2) a «Bela Festa do Vale», 3) a «Festa de Khoiak», 4) a «Festa de Sokar»... more
    Nesta reflexão consideramos algumas das grandes festas egípcias (hebu ou uagu), a maioria relacionada com a celebração dos ritmos da Natureza: 1) a «Festa de Opet», 2) a «Bela Festa do Vale», 3) a «Festa de Khoiak», 4) a «Festa de Sokar» e 5) a «Festa da Boa Reunião».
    As barcas portáteis das divindades, elemento material central em torno do qual se organizavam as várias operações e manifestações litúrgico-rituais das festas egípcias, merecem também a nossa atenção, no que diz respeito às suas características principais.
    Palavras-Chave: Festa religiosa, barcas processionais, sagrado, profano.

    In this reflection we consider some of the great Egyptian feasts (hebu or uagu), most related to the celebration of Nature's rhythms: 1) the «Opet Festival», 2) the «Beautiful Feast of the Valley», 3) the «Khoiak Festival», 4) the «Feast of Sokar» and 5) the «Festival of the Beautiful Reunion».
    The portable boats of deities and their main characteristics also deserve our attention, being the core material element around which the various operations and liturgical ritual manifestations of the Egyptian feasts were organized.

    Keywords: Religious festival, processional boats, sacred, profane.
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    O culto da deusa egípcia Ísis atravessou todas as épocas da história faraónica e chegou até ao Período Ptolomaico, quando se tornou numa das principais divindades de Alexandria. Nos monumentos helenísticos da capital dos Lágidas, o antigo... more
    O culto da deusa egípcia Ísis atravessou todas as épocas da história faraónica e chegou até ao Período Ptolomaico, quando se tornou numa das principais divindades de Alexandria. Nos monumentos helenísticos da capital dos Lágidas, o antigo casal Osíris--Ísis da multimilenar tradição faraónica deu lugar à inseparável dupla Serápis-Ísis. Embora sem um santuário próprio no temenos do Serapeum, Ísis possuía vários templos na ilha de Pharos e na ilhota de Lochias.
    Em Alexandria, Ísis assumiu as funções de protectora da navegação e dos marinheiros (Ísis Pelagia e Ísis Euploia), ao mesmo tempo que mantinha os seus tradicionais atributos de deusa amamentadora (Ísis Lactans), sendo representada de forma tradicional ou de forma adaptada aos novos tempos, com roupagens gregas (chiton ou peplos e himation).
    A diáspora mediterrânica do culto isíaco corresponde a um novo patamar do seu culto, ao deixar de ser uma deusa egípcia, local, para se transformar numa deusa de carácter universal. Ao transcender as fronteiras nilóticas e se espalhar pelo Mediterrâneo, o culto da deusa Ísis prestou-se a assimilações e apropriações várias.
    Neste processo de diálogo intercivilizacional, o importante é perceber como a sua coexistência no tempo (vários séculos) e no espaço (várias regiões) moldou a imagem material e mental que as várias comunidades assumiram da antiga deusa egípcia.
    Toda a diáspora isíaca foi acompanhada pela produção de inúmeras areotologias ou textos laudatórios que nos permitem apurar a imagem que os fiéis tinham fora do Egipto da deusa, dos seus atributos, das suas funções e da sua história mitológica.
    Palavras-Chave: Deusa Isis; Culto egípcio; Culto mediterrânico; Tradição; Adaptação.
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    No âmbito de uma investigação na área da Recepção da Antiguidade em Portugal, dedicada à identificação, recolha e análise das notícias e artigos sobre a descoberta do túmulo do faraó Tutankhamon publicados entre 1922 e 1939 nos jornais e... more
    No âmbito de uma investigação na área da Recepção da Antiguidade em Portugal, dedicada à identificação, recolha e análise das notícias e artigos sobre a descoberta do túmulo do faraó Tutankhamon publicados entre 1922 e 1939 nos jornais e revistas nacionais, deparámo-nos com a necessidade de conhecer, de forma aprofundada, a realidade da imprensa portuguesa nas décadas de 20 e de 30 do século passado.
    Tendo por objectivo determinar a forma como os eventos que ocorriam no Egipto, mais concretamente no Vale dos Reis, em Luxor ocidental, chegavam aos jornais e às revistas em Portugal, embrenhámo-nos na análise do funcionamento das agências de notícias ou agências telegráficas, como também eram chamadas, com especial interesse pelas agências com que os jornais portugueses trabalhavam. Neste contexto, encarámos com a Agência Radio e com a figura do jornalista e empresário galego Alejo Carrera Muñoz.
    Foi esta agência, dirigida por aquele, que forneceu aos jornais portugueses no período considerado o maior número de notícias telegráficas sobre a descoberta do túmulo de Tutankhamon. Este facto chamou-nos a atenção, por um lado, porque na bibliografia existente é assumido que a única agência telegráfica com a qual a imprensa portuguesa trabalhava na altura era a Havas e, por outro, porque a possibilidade de a Agência Radio ser uma agência portuguesa conflitua com a ideia de que a primeira agência nacional, a Lusitânia, data de 1944.
    Pretendemos, assim, demonstrar a relevância da Agência Radio, principalmente na década de 20 do século XX, reconstituir a sua história e tentar desvendar a sua verdadeira natureza.
    Palavras-chave: Tutankhamon; Imprensa portuguesa; Agências de notícias; Agência Radio; Alejo Carrera Muñoz.

    During an investigation in the field of the Reception of the Antiquity in Portugal, dedicated to the identification, collection and analysis of news and articles related to the discovery of the tomb of the pharaoh Tutankhamun published between 1922 and 1939 in national newspapers and magazines, we stumbled upon the need of knowing, in depth, the reality of the Portuguese press in the 20s and 30s of the past century.
    Having as a goal to determine the way in which the events that occurred in Egypt, specifically in the Valley of the Kings, in Western Luxor, arrived at the newspapers and magazines in Portugal, we wrapped ourselves up in the analysis of the functioning of the news agencies or telegraphic agencies, as they were also called, with special interest in the agencies with which the Portuguese newspapers worked. In this context, we found Agência Radio and the figure of the Galician journalist and businessman Alejo Carrera Muñoz.
    It was this agency, directed by him, that gave to the Portuguese newspapers, in the considered period, the largest number of telegraphic news about the discovery of the tomb of Tutankhamun. This fact interested us because, in one hand, in the existent bibliography it is assumed that the only telegraphic agency with which the Portuguese press worked at the time was Havas and, on the other hand, the possibility of Agência Radio being, in fact, a Portuguese agency conflicts with the idea that the first national agency, Lusitânia, dates from 1944.
    We intend, therefore, to show the relevance of Agência Radio, especially in the 20s of the twentieth century, to rebuild its history and to try to uncover its true nature.
    Key words: Tutankhamun; Portuguese press; News agencies; agência Radio; Alejo Carrera Muñoz.
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    As peças de mobiliário egípcio são, em regra, muito elegantes e requintadas, mas a nossa atenção não deve, porém, ser conferida apenas ao seu lado estético-simbólico. Aquilo que pretendemos neste texto é justamente estender o olhar para a... more
    As peças de mobiliário egípcio são, em regra, muito elegantes e requintadas, mas a nossa atenção não deve, porém, ser conferida apenas ao seu lado estético-simbólico. Aquilo que pretendemos neste texto é justamente estender o olhar para a vertente técnica: que métodos, que ferramentas, que processos foram empregues para a sua elaboração e que dimensões práticas cumpriam, quer em contexto do quotidiano, quer em contexto funerário.
    Palavras-Chave: Mobiliário, Matérias-primas, Técnicas, Ferramentas, Ensambladuras.
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    Descoberto no final do ano de 1919, em Tuna el-Guebel, o túmulo de Petosíris foi imediata e metodicamente escavado até 8 de Março de 1920 por Gustave Lefebvre e desde então reconhecido como detendo um valor excepcional para a história da... more
    Descoberto no final do ano de 1919, em Tuna el-Guebel, o túmulo de Petosíris foi imediata e metodicamente escavado até 8 de Março de 1920 por Gustave Lefebvre e desde então reconhecido como detendo um valor excepcional para a história da arte do século IV a.C. quando as escolas indígenas produzem os seus últimos exemplares e quando aparecem no Egipto as primeiras manifestações da arte grega.
    No que diz respeito à decoração interna do pronaos, se, por um lado, o túmulo de Petosíris denota a forte influência grega no estilo e na técnica dos coloridos baixos-relevos, por outro, reproduz temas e cenas existentes, por exemplo, na decoração dos túmulos menfitas do Império Antigo e dos túmulos tebanos do Império Novo. Os temas tratados denotam, portanto, uma continuidade histórica digna de registo que nos interessa tratar, num quadro de similaridades/ originalidades a eles subjacente.
    Palavras-chave: Período Ptolomaico, arte tumular, gramática decorativa.
    Research Interests:
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    As colunas são dos mais característicos elementos da arquitectura religiosa egípcia. Não obstante, o tratamento da temática não é consensual entre os estudiosos e há, por vezes, diferentes tipologias em confronto. Neste texto, tendo... more
    As colunas são dos mais característicos elementos da arquitectura religiosa egípcia. Não obstante, o tratamento da temática não é consensual entre os estudiosos e há, por vezes, diferentes tipologias em confronto.
    Neste texto, tendo presente a conceptualização inerente ao templo egípcio, procuramos passar em revista as características técnico-funcionais e simbólicas daqueles que consideramos os tipos mais importantes de colunas egípcias, estabelecendo as suas cronologias de aparecimento e uso, bem como os principais locais de utilização.
    Palavras-Chave: Arquitectura, Capitéis, Colunas, Simbolismo, Templo.

    Columns are one of the most important features of Egyptian religious architecture. Although, among scholars the treatment of the theme is not consensual and sometimes different typologies are presented.
    In this paper, keeping in mind the conceptualization of the Egyptian temple, we seek to evaluate the technical, functional and symbolic features of those we consider the most important types of Egyptian columns, establishing their chronology of arising and use, as well as the main place of practice.
    Keywords: Architecture, Capitals, Columns, Symbolism, Temple.
    Research Interests:
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    Segundo a concepção egípcia, as coroas e os toucados apresentavam um imanente e eloquente simbolismo e significado religioso e político. A imagética divina e faraónica fazia delas um elemento central da personalidade divina e real. Também... more
    Segundo a concepção egípcia, as coroas e os toucados apresentavam um imanente e eloquente simbolismo e significado religioso e político. A imagética divina e faraónica fazia delas um elemento central da personalidade divina e real. Também os ceptros reais egípcios identificavam facilmente o detentor do poder político e militar no Egipto antigo. No presente texto, efectuamos o levantamento e tratamento das coroas, dos toucados e dos ceptros existentes nos objectos expostos da colecção egípcia permanente do Museu Calouste Gulbenkian (Lisboa), bem como dos constantes nas reservas. Palavras-chave: Coroas – Toucados – Ceptros – Museu Calouste Gulbenkian. ABSTRACT: According to the Egyptian conception, the crowns and headdresses had an intrinsic and powerful symbolism and a religious and political meaning. The divine and Pharaonic imagery turned them into a core element of the royal and divine personality. The Egyptian royal scepters also made it easy to identify the holder of the political and military power in ancient Egypt. In this paper, we identify and analyze the crowns, headdresses and scepters existent on of the Egyptian collection at the Museu Calouste Gulbenkian (Lisbon), both the ones exhibited and those in the archives.
    Research Interests:
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    Iconograficamente, o tema das carpideiras rituais egípcias como componente das práticas religiosas do antigo Egipto está particularmente bem atestada, sobretudo a partir da XVIII Dinastia, em baixos-relevos e pinturas parietais e... more
    Iconograficamente, o tema das carpideiras rituais egípcias como componente das práticas religiosas do antigo Egipto está particularmente bem atestada, sobretudo a partir da XVIII Dinastia, em baixos-relevos e pinturas parietais e tumulares, em pinturas em papiros, em estatuetas e em estelas.
    A importância ritual das lamentações públicas das carpideiras e dos carpideiros egípcios é sublinhada pelo arquétipo simbólico-mitológico da lenda osiriana, em que as irmãs divinas Ísis e Néftis se lamentam sobre o corpo morto de Osíris. A evolução religiosa egípcia fez do morto vulgar um Osíris divino, necessitando do mesmo zelo e cuidado das lamentações fúnebres. 
    Da gramática de posturas perfeitamente estereotipadas e codificadas observáveis nas representações artísticas egípcias merece especial destaque o papel desempenhado pelos braços, pelas mãos, pela cabeça e pelos cabelos. Entre estes últimos, salienta-se o gesto nwn: as carpideiras atiravam o cabelo para a cara, tapando os olhos e simbolizando assim a obscuridade da morte.
    A teatralidade da dor assim encenada recebe na cultura egípcia uma dupla função, social (expressão social das emoções) e simbólica (expressão metafísica das lamentações), e faz da temática das lamentações uma das mais importantes dinâmicas da ideologia da morte no Egipto antigo.

    RESUMEN
    Iconográficamente, el tema de las plañideras rituales egipcias como un componente de las prácticas religiosas del antiguo Egipto está particularmente bien documentado, sobre todo desde la dinastía XVIII, en bajorrelieves y pinturas parietales y de tumbas, pinturas en papiro, en estatuillas y en estelas.
    La importancia ritual de las lamentaciones públicas de las plañideras y de los plañideros egipcios se ve subrayada por el arquetipo simbólico y mitológico de la leyenda de Osiris, en el que las hermanas divinas Isis y Neftis lloran sobre el cadáver de Osiris. La evolución religiosa egipcia hizo de lo muerto ordinario un Osiris divino, que requiere el mismo celo y cuidado de las lamentaciones fúnebres.
    En la gramática de posturas perfectamente estereotipadas y codificadas observables en representaciones artísticas egipcias merece una mención especial el papel desempeñado por los brazos, las manos, la cabeza y el pelo. Entre estos últimos, se observa el gesto nwn: las plañideras lanzaban el pelo en la cara, cubriendo sus ojos, lo que simbolizaba la oscuridad de la muerte.
    La teatralidad del dolor así escenificada recibe en la cultura egipcia una doble función, social (expresión social de las emociones) y simbólica (expresión metafísica de las lamentaciones), y hace del tema de las lamentaciones una de las más importantes dinámicas de la ideología de la muerte en el antiguo Egipto.

    PALAVRAS-CHAVE
    Carpideiras, lamentações fúnebres, teatralidade, iconografia.

    PALAVRAS CLAVE:
    Plañideras, lamentos fúnebres, teatralidad, iconografia
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    The tomb of Petosiris at Tuna el-Gebel was discovered in late 1919 and was immediately and methodically excavated until March 8, 1920 by Gustave Lefebvre. Since then, it has been recognised as having exceptional value for the history of... more
    The tomb of Petosiris at Tuna el-Gebel was discovered in late 1919 and was immediately and methodically excavated until March 8, 1920 by Gustave Lefebvre. Since then, it has been recognised as having exceptional value for the history of art of the fourth century BC, when indigenous schools produced their last copies and when the first manifestations of Greek art appeared in Egypt. The internal decoration of the pronaos of this tomb displays the strong Greek influence on the style and on the art of coloured reliefs. At the same time, it portrays themes and scenes similar to the decor of the Memphite tombs from the Old Kingdom and the Theban tombs from the New Kingdom. The depicted topics denote, therefore, a remarkable historical continuity that will be dealt with this paper, within a framework of intrinsic similarities and originalities.

    La tumba de Petosiris en Tuna el-Gebel fue descubierta a fines de 1919 y excavada inmediata y metódicamente hasta el 8 de marzo de 1920 por Gustave Lefebve. Desde ese momento se reconocieron sus valores excepcionales para el arte del siglo IV a.C., cuando las escuelas indígenas producían sus últimas obras y hacían su aparición las primeras manifestaciones del arte griego en Egipto. La decoración interior del pronaos de esta tumba evidencia la fuerte influencia griega en el estilo de sus coloridos relieves. Al mismo tiempo, representan temas y escenas similares a la decoración de las tumbas menfitas del Reino Antiguo y las tebanas del Reino Nuevo. Los temas presentan, por tanto, una significativa continuidad histórica que deseamos tratar en este artículo, en el marco de sus similitudes y originalidades intrínsecas.

    Keywords: Ptolemaic Period, funerary art, decorative grammar.
    Palabras clave: Periodo Ptolemaico, arte funerario, gramática decorativa.
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    Apesar do Egipto antigo ter em tempos sido descrito como «a civilização sem cidades», sobretudo com base em argumentos filológicos, a arqueologia tornou evidente que houve assentamentos humanos que atingiram o estatuto de cidades e que... more
    Apesar do Egipto antigo ter em tempos sido descrito como «a civilização sem cidades», sobretudo com base em argumentos filológicos, a arqueologia tornou evidente que houve assentamentos humanos que atingiram o estatuto de cidades e que não estamos de todo perante uma sociedade sub-urbanizada. Antes pelo contrário, o antigo Egipto foi uma sociedade urbanizada desde o início do Império Antigo ou talvez mesmo desde o Período Dinástico Inicial.
    Nesta intervenção, trataremos o conceito e a evolução da noção de «cidade» ao longo da história egípcia e procuraremos sintetizar a principal tipologia operatória com que hoje se trabalha no seio da Egiptologia científica. Paralelamente caracterizaremos as três grandes cidades planificadas de Kahun (Império Médio), Amarna e Deir el-Medina (ambas do Império Novo).
    Indissociável do movimento urbanístico egípcio, a problemática da construção merece igualmente a nossa atenção, designadamente com uma referência aos principais materiais utilizados e às principais fontes hoje disponíveis para o estudo e reconstituição das habitações do antigo Egipto.
    Por fim, passamos em revista, com figurações artísticas egípcias, um conjunto de actividades e ofícios que poderíamos caracterizar como «urbanos».
    Palavras-chave: Cidade, Vida quotidiana, Urbanismo, Habitação, Ofícios.
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    Os antigos Egípcios acreditavam que o touro poderoso representava a personalidade do próprio faraó. O touro estava, de facto, intimamente associado ao Estado faraónico, estando presente ao nível dos regalia (cauda taurina) e... more
    Os antigos Egípcios acreditavam que o touro poderoso representava a personalidade do próprio faraó. O touro estava, de facto, intimamente associado ao Estado faraónico, estando presente ao nível dos regalia (cauda taurina) e significativamente nos próprios epítetos reais (ka nakht).
    Na mitologia egípcia, de todos os touros sagrados o que maior projecção alcançou, como deus agrário da fecundidade, da vegetação renascida e da ressurreição, foi, seguramente, o touro Ápis, associado em Mênfis aos deuses Ptah e Osíris.
    Na sua condição de touro ágil, vigoroso e viril, Ápis era um intermediário consistente entre o mundo dos vivos e o dos mortos, além de ser um propiciador de fertilidade e renascimento quando associado ao deus-Sol.
    A sua participação, literalmente ao lado do faraó, na «corrida ritual», importante cerimónia no âmbito da concepção ideológica do poder real, reforçou ainda mais a sua importância no seio do panteão egípcio.
    Palavras-Chave: Ápis, iconografia, cauda taurina, corrida ritual, epítetos.
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    Tendo presente que a serpente é o animal mais representado na arte egípcia, efectuamos neste texto o levantamento e tratamento das serpentes existentes nos objectos expostos da colecção egípcia permanente do Museu Calouste Gulbenkian –... more
    Tendo presente que a serpente é o animal mais representado na arte egípcia, efectuamos neste texto o levantamento e tratamento das serpentes existentes nos objectos expostos da colecção egípcia permanente do Museu Calouste Gulbenkian – Lisboa, bem como nos constantes nas reservas, através de uma grelha dupla: serpentes-hieróglifos e serpentes-insígnias, incluindo neste último grupo as serpentes-uraeus usadas por faraós e deuses nas suas frontes e as serpentes solarizadas de protecção a monumentos/ edifícios.
    Palavras-chave: serpentes, arte egípcia, Museu Calouste Gulbenkian.

    Bearing in mind the fact that the serpent is the animal most represented in Egyptian art, this text aims to identify and treat the serpents existent in the exposed objects of permanent Egyptian collection of the Museu Calouste Gulbenkian - Lisbon, as well as the ones existent in the reserves, through a double analysis: hieroglyphics serpents and insignia serpents, the latter group including the uraeus serpents used by pharaohs and gods on their foreheads and solarized serpents of protection of monuments / buildings.
    Key-words: Serpents, Egyptian art, Museu Calouste Gulbenkian.
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    After the Napoleonic campaign into Egypt (1798–1801), the «Orient temptation» hit the Western world and left eloquent expressions in its artistic manifestations. Eça de Queirós, in the quest of many other European scholars, didn’t get... more
    After the Napoleonic campaign into Egypt (1798–1801), the «Orient temptation» hit the Western world and left eloquent expressions in its artistic manifestations. Eça de Queirós, in the quest of many other European scholars, didn’t get immune to this movement. He himself made the oriental journey and of it left abundant reminiscences in his literary productions.
    The idea of travel comradeship that A Relíquia uses through the Portuguese character Teodorico and the German Topsius hence derives of a 1800s cultural habit well attested in the last decades of the 19th century whereupon Eça himself participated.
    In Eça’s critical plot, the literary game of contrasts between those two men and their worlds is much accentuated and, through several episodes and peripeteias, the author reveals his anti-Germanophile sentiment, inherited from the profound impressions of the adopted French culture and mentality.
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    O espectro da degenerescência corporal, destino de todos os humanos que alcançam idades mais avançadas, era algo pesado e terrível para os antigos egípcios. Compreensivelmente, ansiavam pela anulação desses efeitos e dessas marcas. A sua... more
    O espectro da degenerescência corporal, destino de todos os humanos que alcançam idades mais avançadas, era algo pesado e terrível para os antigos egípcios. Compreensivelmente, ansiavam pela anulação desses efeitos e dessas marcas.
    A sua preferência quase obsessiva nas pinturas, esculturas e baixos-relevos vai para as figuras da juventude ou da maturidade de homens e mulheres. Exploradas magicamente, essas figuras, estão, porém, ao serviço de um outro ciclo da existência: a existência extraterrena. Foram elaboradas e ganham consistência pela sua profunda ligação com esta dimensão do universo do Além.
    Segundo a concepção egípcia, os seres vivos no Além deixam de estar sujeitos ao tempo e às suas manifestações. Para eles, o tempo não existe. O tempo no Além não está sujeito à mudança inerente à linearidade, não é mutável, nem é dinâmico: é imóvel, estático e fechado.
    Subjacente às “moradas da eternidade” onde essas representações eram incorporadas (mastabas, hipogeus, templos funerários) há, portanto, uma concepção de temporalidade imóvel ou estacionária que lhes dá suporte ou justificação.
    Palavras-Chave: Convenções artísticas, concepções de tempo, morte, eternidade.
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    Numa primeira análise, as 152 inscrições funerárias e biográficas inscritas no interior do túmulo-templo de Petosíris, sumo sacerdote de Djehuti, em Tuna el-Guebel (Hermópolis Oeste), surgem-nos como uma amálgama desconexa de ideias... more
    Numa primeira análise, as 152 inscrições funerárias e biográficas inscritas no interior do túmulo-templo de Petosíris, sumo sacerdote de Djehuti, em Tuna el-Guebel (Hermópolis Oeste), surgem-nos como uma amálgama desconexa de ideias justapostas, sem qualquer sistematização ordenadora por parte do seu Autor. Uma análise mais profunda, porém, permite-nos detectar a «religião invisível» que motivou e orientou o seu registo e encontrar um conjunto de núcleos agregadores da reflexão moral-filosófica nelas contida.
    Além do relato existencial específico sobre o sumo sacerdote de Tot que comportam, encerram também um conjunto de princípios morais, sapienciais, que manifestam que as opções individuais de cada Homem em termos de apego ou de indiferença religiosa determinam o seu grau de consecução e de participação nos favores divinos na vida terrena e na prometida vida eterna.
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    No fim do IV milénio a.C., o Egipto foi provavelmente a primeira civilização a viver a experiência da formação de um verdadeiro Estado unificado sobre um vasto território. Além do processo histórico-político propriamente dito, a... more
    No fim do IV milénio a.C., o Egipto foi provavelmente a primeira civilização a viver a experiência da formação de um verdadeiro Estado unificado sobre um vasto território. Além do processo histórico-político propriamente dito, a emergência e a continuidade da instituição monárquica, hereditária, deixou marcas indeléveis na produção mitológica paulatinamente desenvolvida.
    Neste sentido, o conhecido mito das lutas entre Hórus e Set, um dos mais conhecidos e complexos episódios do ciclo osiriano, é um testemunho eloquente que justifica uma revisita e uma reescrita mitológico-ideológica conduzida pelo pressuposto da estrutura inicial do Estado egípcio e das suas estruturas-base de sustentação. O que nele está em causa é a essência monárquica conforme era concebida pelos antigos Egípcios.
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    Paneb foi um trabalhador da aldeia de Deir el-Medina que viria a ocupar uma posição de relativo destaque a partir do ano 5 de Seti II como «chefe da equipa do lado esquerdo do grupo» e que está associado a um caso judicial em que é... more
    Paneb foi um trabalhador da aldeia de Deir el-Medina que viria a ocupar uma posição de relativo destaque a partir do ano 5 de Seti II como «chefe da equipa do lado esquerdo do grupo» e que está associado a um caso judicial em que é acusado por Amennakht, seu tio adoptivo, de uma série de subornos, roubos, abusos de autoridade, ataques físicos, violações, adultério e até o assassinato cometidos na sua aldeia e no Vale dos Reis ao longo de um quarto de século no final da XIX Dinastia.
    Os crimes de que é acusado são conhecidos em detalhe através do Papiro Salt 124 (BM 10055), datado da XX Dinastia (provavelmente do ano 6 de Ramsés III). Esta fonte é um documento extraordinário para se compreender o funcionamento da Administração e da Justiça no Império Novo, mas a sua análise permite detectar exageros e deformações dos factos que nos obrigam a reavaliar o seu verdadeiro significado.
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    No antigo Egipto, o pensamento teológico que sustentou as teogonias e cosmogonias dos vários centros religiosos não foi, naturalmente, elaborado todo na mesma altura. Tratou-se objectivamente de um processo diacrónico no qual convergiram... more
    No antigo Egipto, o pensamento teológico que sustentou as teogonias e cosmogonias dos vários centros religiosos não foi, naturalmente, elaborado todo na mesma altura. Tratou-se objectivamente de um processo diacrónico no qual convergiram várias tradições independentes, mas onde também se pressentem «pontos comuns»: 1) a necessidade de conciliar as crenças em torno da divindade principal de determinado local; 2) o sublinhar, em consequência, da «superioridade moral» desse(s) centro(s) teológico(s) e dos seus sacerdotes e 3) o explicar da dialéctica entre a ordem e o caos a partir da existência explicita de determinadas qualidades divinas nos respectivos demiurgos e suas famílias.
    Além disso, detectam-se nas narrativas mitológicas alguns traços comuns ao nível dos termos e do vocabulário convocados que derivam justamente de uma subliminar intertextualidade discursiva e de um intenso diálogo nocional entre os vários sistemas explicativos egípcios sobre a fundação do cosmos.
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    Ancient Egyptians believed the mighty bull represented the personality of the pharaoh himself. The bull as, in fact, closely related to the pharaonic State from the beginning of Egyptian history. In Egyptian mythology, of all the sacred... more
    Ancient Egyptians believed the mighty bull represented the personality of the pharaoh himself. The bull as, in fact, closely related to the pharaonic State from the beginning of Egyptian history. In Egyptian mythology, of all the sacred bulls, the one who got more projection, as an agricultural god of fertility, reborn vegetation and resurrection, was definitely the Apis bull, associated to the gods Ptah and Osiris in Memphis. Being an agile, vigorous and virile bull, Apis was a consistent intermediary between the world of the living and the one of the dead, besides being an enabler of fertility and re birth, when associated with the sun-god.

    Key-words: Apis; cult animal; stelae; bronzes; coffins.

    Os antigos egípcios acreditavam que o touro poderoso representava a personalidade do próprio faraó. O touro estava, de facto, intimamente associado ao estado faraónico desde o início da história egípcia. Na mitologia egípcia, de todos os touros sagrados o que maior projecção alcançou, como deus agrário da fecundidade, da vegetação renascida e da ressurreição, foi, seguramente, o touro Ápis, associado em Mênfis aos deuses Ptah e Osíris. Na sua condição de touro ágil, vigoroso e viril, Ápis era um intermediário consistente entre o mundo dos vivos e o dos mortos, além de ser um propiciador de fertilidade e renascimento quando associado ao deus-sol.
    Palavras-chave: Ápis; Culto dos animais; estelas; bronzes; ataúdes.
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